Houve um Natal em que o meu pai resolveu levar-nos a Lisboa para escolhermos as nossas prendas. Lembro-me que partimos cedo, e que o dia estava cinzento como os meus collans. Sem qualquer experiência na arte de fazer uma lista com os presentes pretendidos, sugeri um relógio de pulso, e lá calcorreámos as lojas de pechinchas e brinquedos que cheiravam a drogaria e tinham empregados com poucos dentes e muitos pêlos no peito. A cidade pareceu-me imponente e gigante. Como se do estrangeiro se tratasse. Aquele estrangeiro em que é preciso ir com a melhor roupa, e de ar encantado e extrema atenção a tudo, tão veloz, à volta.
Adivinhasse eu o futuro, e nunca teria sugerido tal objecto.
De nada nos vale cronometrar a perda de tempo.














