terça-feira, 10 de março de 2009

segunda-feira, 9 de março de 2009

Inesgotável recorte de jornal:

"Não admira que num país assim emerjam cavalgaduras, que chegam ao topo, dizendo ter formação, que nunca adquiriram, que usem dinheiros públicos (fortunas escandalosas) para se promoverem pessoalmente face a um público acrítico, burro e embrutecido.
Este é um país em que a Câmara Municipal de Lisboa, desde o 25 de Abril distribui casas de RENDA ECONÓMICA - mas não de construção económica - aos seus altos funcionários e jornalistas, em que estes últimos, em atitude de gratidão, passaram a esconder as verdadeiras notícias e passaram a "prostituir-se" na sua dignidade profissional, a troco de participar nos roubos de dinheiros públicos, destinados a gente carenciada, mas mais honesta que estes bandalhos.
(...)
A justiça portuguesa não é apenas cega. É surda, muda, coxa e marreca.
Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso, apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção.
Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem existencial, acham tudo "normal" e encolhem os ombros. Por uma vez gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, ponto final, assunto arrumado. Não se fala mais nisso. Vivemos no país mais inconclusivo do mundo, em permanente agitação sobre tudo e sem concluir nada.Desde os Templários e as obras de Santa Engrácia, que se sabe que, nada acaba em Portugal, nada é levado às últimas Consequências, nada é definitivo e tudo é improvisado, temporário, desenrascado.
(...)
E os novos códigos Penal e de Processo Penal em nada vão mudar este estado de coisas.
Apesar dos jornais e das televisões, dos blogs, dos computadores e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao maior número de notícias de sempre, continuamos sem saber nada, e esperando nunca vir a saber com toda a naturalidade.
(...)
Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças , de protecções e lavagens , de corporações e famílias , de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade.
Este é o maior fracasso da democracia portuguesa."

Clara Ferreira Alves
(Crónica no "Expresso")

quinta-feira, 5 de março de 2009

Souvenir metereológico II:

I´m not crying...
It´s just raining on my face!...

“Vou contar uma história.
Havia uma rapariga que era maior de um lado que do outro.
Cortaram-lhe um pedaço do lado maior:
foi de mais.
Ficou maior do lado que era dantes mais pequeno.
Cortaram.
Ficou de novo maior.
Tornaram a cortar.
Foram cortando e cortando.
O objectivo era este:
criar um ser normal.
Não conseguiram.

A rapariga acabou por desaparecer, de tão cortada dos dois lados.”
Herberto Hélder

Souvenir metereológicoI:


“Palavra de honra que
devia chover lágrimas
quando o coração pesa muito.”
António Lobo Antunes

Queria fazer as malas e ir para uma vida menos confusa.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Souvenir futuro:


Aproximas-te de mim e dizes:

Já não temos idade para coisas de miúdos, como na primária.
És linda e mereces alguém parecido comigo.

Souvenires da semana:

...! O odioso feriado de Carnaval!

Todos os anos é a mesma história quando o feriado calha em dia de semana:
Os meus vizinhos acordam mais tarde, ao som de relatos desportivos, vestem calças de licra justas, com as meias por cima das calças, t-shirts velhas com slogans de hipermercados ou, se faz sol, andam em tronco nu exibindo as proeminentes barrigas de charcutaria e vinho e resolvem regar o jardim (molhando tudo num raio de 3km...), reparar o muro usando os tijolos do vizinho que foi de férias, limpar a garagem colocando tudo ao lado do contentor, inclusive aquele sofá carracento e o cacto que a sogra ofereceu no Verão passado, lavar o carro (tornando a molhar tudo num raio de 5km) e fazer uma grande churrascada que traz sempre os bombeiros ao bairro por causa do fumo...

...! A pausa para lanche no trabalho.
A meio da tarde dou por mim sempre em frente ao prédio a ver-te fumar.
Até que a tua voz sorriu ao meu silêncio.
...! O regresso às aulas...


Um dos muitos problemas dos jovens betinhos, pseudo-intelectuais (mas que nunca leram um livro decente), com roupas de marca e alcoolizados da minha faculdade (sendo que a sua simples existência já é UM problema), é acharem que temos todos a mesma idade mental e conta bancária dos pais e que fomos coleguinhas do colégio privado ou passamos juntos férias em Palma de Maiorca.

PIOR AINDA, é acharem que me podem lançar os seus piropos imberbes e básicos e ridículos sempre que entramos em fase de eleições para a associação de estudantes ou em época de exames, ou pelo simples facto de estudarmos na mesma biblioteca.

NÃO TENHO PACIENCIA!!!

A vontade de esgatanhá-los está a tornar-se superior à minha razoabilidade.

O que vale é que já só falta um semestre!...

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Souvenir sentimental (ou constatação do mês de Fevereiro):



Sou daquelas pessoas que espreitam o amor pelo buraco da fechadura.

...porque não tenho chave.

Ou coragem para abrir a porta e entrar!...

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Inesgotável perda:


Depois de tanta luta, e muitos meses doente os teus olhos fecharam-se e adormeceste, a 23 de Janeiro.

Contigo,
aprendi o sabor da companhia.
E a ser resistente.
Para dizer NÃO.
Ao desdém, à comida mal cozinhada, à arrogância, aos novos senhores do poder, ao silenciamento, às mentiras e manipulação.


Para dizer SIM.
Aos direitos das crianças. E dos idosos. E das pessoas portadoras de deficiências. E dos animais.

Ao amor.

Não te vou esquecer.
E se há algo bom dentro de mim... foi tu que o fizeste brotar:-)

OBRIGADA.

"Fijinho da fófó..."
Vou resistir para sonhar que um outro mundo é possível.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Souvenir de uma tarde de trabalho extra:

Eis os nomes que hoje se cruzaram por mim, e que recomendo para futuros papás e mamãs:

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Ana Margarida da Murteira Damásio de Boieiro do Cotovio
(Para quem quer uma filhinha excêntrica como a salada russa...)

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Sofia Caravela de Oliveira Mosca
(Nome ideal para espantar namorados logo no primeiro encontro com a família. Basta referirem que a vossa princesa tem o apelido certo, pois tal como as moscas gosta de m...)

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Andreia Sofia Amante Pina
(Aos pais mais liberais, que apreciam o show bizz nocturno...)

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Marcelo Simão Rato Lavado
(Se o quiserem a trabalhar na área dos resíduos e saneamento...)

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Bruno Miguel Veloz Ladrão
(Caso queiram um filho advogado...)

Inesgotável objectivo de 2009 cumprido:

O casaco vermelho já cá canta :-)

(Sim, lembrei-me de começar pela parte mais fútil...)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Souvenires da semana (so far...):





- Eu estou tão desiludida e cansada!...



- Não te preocupes, Marge.
És mulher, consegues aguentar tudo isso eternamente.

The Simpsons





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"O D. José Policarpo
estragou o sonho de todas as portuguesas,
que é casar com um muçulmano
e ir viver para a faixa de Gaza."

João Tordo


segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Inesgotável post-it mental:


... Tu gostas de Direito, tu gostas de Direito, tu gostas de Direito, tu gostas de Direito, tu gostas de Direito, tu gostas de Direito, tu gostas de Direito, tu gostas de Direito, tu gostas de Direito, tu gostas de Direito, tu gostas de Direito, tu gostas de Direito, tu gostas de Direito, tu gostas de Direito, tu gostas de Direito...!


...a estudar para o exame de Família, nos intervalos dos ataques de esquizofrenia violenta que tenho a ler a nova alteração ao Código Civil, ao som de Rodrigo Leão, e a comer toneladas de bolachinhas de maçã e canela...

(A passagem ao exame carece de medidas drásticas!!!)

domingo, 11 de janeiro de 2009

Souvenir de metro e meio:


Não sei bem se aquilo foi um encontro ou uma despedida.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Inesgotáveis objectivos para 2009:

Evoluir no trabalho ou mudar de emprego,

cultivar paciência e disciplina para o fim da licenciatura,

coragem para as perdas que se avizinham,

ter menos ataques de teimosia,

ir de viagem,

falar mais de Deus e da esperança que existe,

ter domínio das conversas interessantes,

Alzheimer para esquecer as conversas chatas e pseudo-intelectuais,

aprender italiano,

reciclar o francês,

apagar da lista telefónica os números das pessoas que já não fazem parte da minha vida,

pintar as unhas (como as meninas crescidas!),

não encher o mundo com as minhas dores
(bem bastam as dores do Mundo),

abraçar mais,
e sobretudo aquele ser especial tão atrofiado como eu,

deixar de prestar atenção às pessoas impossiveis
(ou às pessoas que não querem tornar-se possiveis),

acordar e avançar, sem olhar tanto para trás,

ir a uma aula de tango,

comprar um casaco vermelho,

visitar a minha avó,

tirar a carta de condução,

conhecer novos amigos,

manter os antigos,

arranjar médico de familia,

ser mais rigorosa no meu vegetarianismo,

aprender a assobiar,

tirar fotografias,

dizer NÃO,

dizer SIM mais vezes,

arrumar as dezenas de cadernos de rabiscos que acumulei durante duas décadas,

deitar fora coisas velhas e sem importância,

ouvir com atenção os outros,

ser mais confiante e optimista,

comer menos gulodices,

ler mais...

"inovar e criar para o nosso mundo se assemelhar mais a um Paraíso..."

Os souvenires do ano de 2008:


Depois de meses que pareciam não terminar,
do ano que passou pouco há a dizer.

Tive demasiados dias a acordar com a sensação
que já não havia nada a fazer para remediar as coisas,
para colar os fragmentos já tantas vezes estilhaçados.
Aprendi que nada dura sempre.

Ganhei batalhas, que travei anos a fio,
mas nem por isso a vitória se tornou mais doce
(por mais que o outro lado se assumisse como adversário).
Aprendi que nem sempre o prémio vale a pena.

Perdi sonhos, não dancei nem uma única vez.
Aproximei-me de pessoas que me pareciam inacessiveis,
saboreei pratos delicosamentes perfumados de gastronomias que desconhecia.
Aprendi que há momentos de encanto se nos esforçarmos.

Ouvi muitas histórias.
Umas estranhas e bizarras, à semelhança dos escritos dos livros de ficção fantástica.
Outras alegres como garganhadas no Verão.
Outras demasiado tristes, que doem por dentro.
Aprendi que o Mundo é muito grande e heterógeneo.
Mas os sentimentos são universalmente iguais.


Visitei recantos maravilhosos.
Em trabalho e em lazer.
Ganhei um novo membro na familia, a Maria,
uma gata autista, histérica e viciada em abraços,
4º bichana felina cá em casa, e 5º animal doméstico.
A minha mãe foi comigo à Ópera.
E jantei na casa do meu irmão lasanha de atum que parecia vomitado.
Tive amigas que adoeceram e que esmoreceram
mas, heroicamente,
superaram as dificuldades.
(Ana Paula, Catarina, Carmen.)
Tornei-me finalista de Direito.
(Por auxilio do Paulo Newman e do Ovnitólogo Nuno!...)
Aprendi que tenho muito na vida, afinal.

domingo, 17 de agosto de 2008

Souvenir vitorioso (ou Inesgotável promessa):

Quando a fase de exames terminar,
e a disciplina de Direito Executivo estiver concluida...

Uiiiiiiii....

rebolarei de alegria por cima de uma "versão confetti" que vou fazer do manual de um certo professor doutor...

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Inesgotável vontade:

Queria ser novamente criança, ter a cara lambuzada de chocolate e sol dentro de mim. Deixar apenas as boas lembranças. Brincar dentro do roupeiro - castelo infinitamente mágico e romântico...

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Souvenir de sabedoria:

Herrar é umano...!!!

domingo, 11 de maio de 2008

Inesgotável verdade:

"Zanta ballerinas, 2007"

O Homem é o único animal na Terra que tem consciência da sua finitude.
Por isso, desde sempre se questionou sobre o sentido e significado da morte, procurando uma explicação para ela:
quando virá,
para onde irá,
como acontecerá.

É quase irónico falar disto sem incorrer em contradição: porque falar de morte é sempre da dos outros, uma morte alheia, da qual apenas sentimos os efeitos, e a perda, mas cuja realidade não vivemos ainda.

As civilizações antigas olhavam a morte de frente, preparando o caminho para chegar até ela. Eram os mortos respeitados e temidos. Pelo contrário, hoje, cala-se a morte, e correm-se as cortinas nos doentes em fim de vida... tornou-se este tema num vazio globalizante.

Mas certo é que todos sentem haver na morte qualquer coisa de absurdo
e de contrário à natureza.

Então porque surge às vezes esse desejo de abraçar o temível desconhecido, como quem abraça um amigo???

quinta-feira, 1 de maio de 2008

...!

Eu vejo as ruas como elas são, sujas e gastas da perda que a vida traz,
dos desencontros que povoam a cidade do medo.
Eu vejo as nuvens, que ameaçam chover, mas não chovem.
Vejo a minha distância,
nesta dor que teima em crescer, nesta dúvida que teima em doer longe...
Vejo o caminho esmorecer,
anos que se perderam em vão.
Os erros que ficaram por remendar, os sentimentos estilhaçados na cabeceira...

Vou guardar os beijos que tinha para dar, os sussurros impronunciáveis.
E os sonhos que se rasgaram nas escadas, que fugiram num táxi...
Vou ambicionar alcançar um dia paz, e não sentir mais fome de fugir.

Encontrar-me, finalmente, para ser quem devo ser.